domingo, 15 de maio de 2016

Desassossego

O Desassossego é poderoso. E senti esse desassossegado como já não o sentia há muito tempo. Um desassossego que não dá descanso. E eu peço que páre. Um desassossego de pensar a quem só peço que me solte.
E para desassossegar que melhor que fugir do Mundo e encontrar-me novamente com ele...
Barrinha de Esmoriz - Maio de 2016
Bruno Novo

sábado, 2 de abril de 2016

Ligo ou não ligo... para os Bombeiros?


Pois bem, a Barrinha é uma lagoa costeira que é regularmente fechada e aberta para que o transporte de substâncias químicas e biológicas nefastas não prejudiquem a qualidade da água do mar circudante e as respetivas bandeiras azuis possam assim ser uma realidade - pelo menos só vejo esta como explicação como justificativa para o dispêndio de recursos ali aplicado. Depositam-se então nalguns pontos, mesmo durante as fortes correntes associadas à chuva depósitos de sedimentos muito finos e carregados de matéria orgânica. É isto que explica que, nesses mesmos pontos, sempre que coloco os pés no fundo a bota se enterre, enquanto liberta bolhas de gás - muito provavelmente resultado da ação de microorganismos anaeróbios (vivem na ausência de oxigénio libertando gases). Ora isto é esperado e daí a importância do hidro hide que me impede de tombar para o lado, para a frente ou para trás, mantendo também o não menos importante equipamento em segurança.
Mas mesmo com a experiência adquirida, continuam as surpresas. A verdade é que no passado dia 1 de Abril (e não é mentira) o susto foi grande.
À procura da melhor posição para que me encontrasse com o sol pelas costas fui surpreendido por um fundo ainda mais fundo que o normal. Já não bastava a dificuldade de rastejar sobre este fundo enquanto fazia deslizar o hidro hide sobre a superfície lodosa, como foi também necessário fazê-lo com uma bota descalça. É que uma vez o pé fora da bota é impossível, nestas condições, recolocá-lo no seu lugar. Isto não só dificulta muito mais o avanço como ainda começou a afundar ainda mais o outro pé levando até a que o próprio wader começasse a descer pelo tronco abaixo...
Eram 6h30 da manhã e o dia ainda não havia totalmente nascido, e só por cima não posso lamentar sob a forma "Rais part´ódia "#"##$$@!#". Assim, e à medida que as forças iam faltando a distância ainda que curta que me separava de terra firme parecia demasiada. Mas a humilhação de ligar aos bombeiros e a voz da minha mulher na minha cabeça "Eu já te avisei!" deram-me aquele empurrão extra que faltava.
Assim que cheguei ao lugar de salvação descobri outra surpresa - era tanto lodoso como o percurso até aqui realizado. A solução? Bem, primeiro descansar outra vez, é que o julgamento começava a ficar em causa e a réstia de bom senso também o aconselhava. A estratégia só podia ser uma - Voltar para trás! NÃOOOOOO!!!! SIIIIIIIIIIM tem mesmo que ser!
E assim foi, mas desta vez sem preocupação pelas mãos limpinhas ou pela roupa tão sequinha que estava. Os braços ficaram negros, as costas ficaram negras, a cabeça também levou com uns restinhos de lodo, descobrindo entretanto que o interior do hidrohide não é bom local para limpar as mãos, que a serapilheira também não é usada como tolha de banho por alguma razão, mas... pelo menos... a bota sempre se encaixou no pé (ou o contrário, o pé é que se encaixou na bota - essa memória foi apagada - porque será?). O regresso foi acompanhado de uma humidade lodacenta que se impregnava desde o tronco até ... imaginem onde. O frio, o vento e a roupa ensopada não são uma boa combinação. Terminava assim a aventura... Regressar ao carro e trocar a roupa era uma necessidade imperiosa. Ter uma muda de roupa no carro será sempre uma condição para fotografar na natureza.
E enfim, é isto... mais um dia na fotografia. E porque carga de lodo ainda assim valeu a pena? Mesmo com o hidrohide a terminar a aventura semi-destruído da força que suportou?
Por causa disto... A viagem de regresso compensou.

P.S. Hoje só me dói o pescoço, a lombar, os glúteos e os peitorais. Posso sempre dizer que fui ao ginásio e fiquei estafado. As pessoas compreenderiam melhor ;-)

Bruno Novo


English version


Well, Barrinha is a coastal lagoon that is regularly closed and open for the transport of harmful chemical and biological substances do not affect the water quality of circudante sea and the respective blue flags may well be a reality - at least just see this as an explanation to justify the expenditure of resources applied there. are deposited then some points, even during the current associated strong to rain very fine sediment deposits and loaded with organic matter. This explains that, at those points where I put my feet on the bottom to boot up earth, while releasing bubbles of gas - most likely a result of anaerobic microorganisms action (live in the absence of oxygen releasing gases). Well this is expected and hence the importance of hydro hide that prevents me from tipping sideways, forward or backward, also keeping the no less important safety equipment.

But even with the experience, still surprises. The truth is that on the 1st of April (and is no lie) the shock was great.

Looking for the best position for me to meet the sun in the back was surprised by a bottom deeper than normal. It was not enough difficulty to crawl on this background as he slide hydro hide on the muddy surface, it was also necessary to do so with a barefoot boot. It is that once the foot off the boot is impossible under these conditions, put it back in place. This not only makes it much harder advance as yet begun to further sink the other foot leading to the wader himself started down the trunk below ...

It was 6:30 am and the day had not yet fully born, and just above can not mourn as "FU##!" # "## $$ @! #". Thus, as the forces were missing the distance although short that separated me from land seemed too much. But the humiliation of call the fire department and the voice of my wife in my head "I already told you!" They gave me that extra push that was missing.
Once I got to the place of salvation I found another surprise - it was so muddy as
 the route so far done. The solution? Well first rest again, it is that the trial 
was getting concerned and the glimmer of common sense also advised. The strategy
 could be only one - Back to back! NOOOOOO!!!! YEEEEEESS It had to be!
 
And so it was, but this time without concern for limpinhas hands or clothing as the
 sequinha it was. The arms were black, the back was black, his head also led to a 
sludge restinhos, finding however that the interior of hidrohide is not good place 
to clean your hands, the litter is not used as a bath towel for some reason but ...
 at least ... the boot always fit the foot (or the contrary, the foot is that fit
 in  the boot - this memory was erased - I wonder why?). The return was accompanied
 by a moisture that permeated from the trunk to ... you can imagine where. 
The cold, the wind and soaked clothes are not a good combination. So ended the
 adventure ... 
Back to the car and change clothes was an absolute necessity. Have a change of 
clothes  in the car will always be a condition for shooting in nature.
 
And finally, is this ... another day in the photograph. And because silt load still
 worth it? Even with hidrohide to finish the semi-destroyed adventure force that
 endured?
 
 
Because of this ... The return trip paid off.
 
 
P.S. Today only hurts my neck, lower back, buttocks and chest. I can always say 
I went to the gym and I was tired. People would understand better ;-)





quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

E a Barrinha não será mais a mesma...

Parece que até requalificar a Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos pode significar a sua destruição.
Não é que para requalificar se fala em passadiços + pontes + CAIS??? + observatórios... isto não é requalificar. Isto é o mesmo que artificializar o natural!!! Por favor... a sério? E que tal acabarem com as águas sujas e fontes de poluição? Muito trabalho e pouca visibilidade, acertei?
Bruno Novo
 Águia-de-asa-redonda
Garça-branca-pequena

domingo, 20 de setembro de 2015

Documentário 4D

Talvez seja a melhor descrição possível da experiência hidro-hide. Como foi possível ter o espaço e os seres vivos tão próximos de mim e só depois de 8 anos a fotografar vida selvagem os descobri? Porque motivo terei percorrido, por vezes, centenas de quilómetros e dispensado dezenas de horas para ter a HIPÓTESE de fotografar um guarda-rios, quando ontem estive a escassos CENTÍMETROS de 3! A verdade é que o fiz com imenso prazer e com o mesmo entusiasmo com que registo agora esta experiência. Essa é a verdade. E por isso é também verdade que se as horas e os quilómetros e as frustrações passadas me fizeram vibrar de alegria e frustração hoje, depois destes anos, não o faria outra vez reconhecendo porém que novos momentos de alegria e frustração se seguirão. Quase que aposto também mais alegres e mais frustrantes...
"Está tudo muito bem feito na vida." Como diz a avó e é assim.
Bruno Novo


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Hidro hide




À muito tempo que ansiava por este projecto. A possibilidade de aproximação, exploração e registo em espelho de água oferecem muitas possibilidades à fotografia de natureza e o primeiro resultado não saiu furado.
Após a construção do equipamento, teste de flutuabilidade, exploração da profundidade da Barrinha e mobilidade do hidro hide, na manhã seguinte já o estava a usar.
Pouco antes do sol nascer fiz a montagem e camuflagem (aspecto ainda a melhorar) e siga a marinha.
As expectativas foram mais que superadas. Houve hipótese de fotografar:
Galeirões, Maçarico das rochas, Borrelhos de coleira interrompida, Borrelhos pequenos de coleira,
Corvos, Guarda-rios, Águia-sapeira, Garça real, Colhereiro, Fuselos, Roucinol-dos-caniços, Alvéola-amarela, Pisco-de-peito-azul,  Cegonha-negra, Cuco (?)
Bruno Novo






quinta-feira, 3 de setembro de 2015

De referência nuestros hermanos!

http://www.objetivonatural.com/descargas/n1.pdf

http://www.objetivonatural.com/descargas/n2.pdf

http://www.objetivonatural.com/descargas/n3.pdf ... já devem ter percebido

sábado, 15 de agosto de 2015

Santos ao pé da porta fazem milagres

Nem todos os dias são maus, sempre aparece algo, nem sempre o desejado. começamos às 6 horas da matina, em busca dos abelharucos, que não apareceram, de seguida em busca do mergulham de crista e nada. mas teimamos e partimos para o que seria quase certo, o cuco, mas também nada disso que resolveu não aparecer, então depois de percorrer 400 km fomos ao nosso cantinho com o intuito de observação, mas sempre de maquinas em riste e eis que o dia deu os seus frutos.



Not all days are evil, always something appears, not always desired. we started at 6 am matina, in search of the Merops apiaster, which did not show up, then dive in search of the crest and nothing. but we insist and set off for what would almost certainly the Clamator glandarius, but none of that decided not to appear, then after covering 400 km went to our little corner for the purpose of observation, but always at the ready machines and behold the day He has borne fruit.



Calidris alba




Riparia riparia


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Andorinha-das-barreiras

Riparia riparia, a andorinha-das-barreiras (que pensava tratar-se da dos beirais - distingue-se desta pela presença de um colar escuro no peito) ou melhor as dezenas de andorinhas-das-barreiras aproveitaram a parede de obstrução da Barrinha ao Oceano para se deleitarem do pouco calor que apareceu neste dia atípico de Verão com temperaturas abaixo dos 20ºC e chuva miúda à mistura. 
Desta parede desciam para uma pequena poça de água, presa pelas areias aquando de uma preia-mar, e realizavam voos rasantes contra o vento (tanta nortada Espinho) que permitiam o registo fotográfico destas cinderelas voadoras. Não sei bem se à procura de alimento na superfície desta lagoa, se na expectativa de praticar habilidades aeronáuticas ou mesmo até para se refrescarem o certo é que foi um espectáculo digno de admirar e com possibilidade de registar.
No seguinte, na esperança de alcançar (como sempre...) mais e melhor as dezenas de andorinhas haviam abalado. Muito previsivelmente porque o sol menos nebulado, as temperaturas mais agradáveis e o vento fraco levaram à praia os veraneantes, alguns dos quais se divertem a gritar e correr atrás de gaivotas de máquina fotográfica em punho... 

Bruno Novo




Riparia riparia, the sand martin or better yet the dozens of sand martins took the obstruction wall built to close the Paramos Lagoon have made at least some happy moments in a little heatead, rainny day.
This wall formed on the side of the ocean a small pool trapped by the sand during a high tide, and performed flybys against the wind (north wind in Espinho...) allowing the photographic record of these flying Cinderellas. I do not know if looking for food on the surface of the pond, or the expectation practice aeronautical skills or even to cool off, the truth is that was a show worthy of wonder and possible to register.
The next day, hoping to achieve (as usual ...) more and better results was a no see ohe sand martins. Very prevesivelmente because the less cloudy sun, more pleasant temperatures and light winds that led to the beach vacationers, some of whom have fun screaming and chasing seagulls camera in hand ...